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Não tivemos chance, pai!

Relato de um adolescente, que perdeu seu pai aos 12 anos de idade.

Não tive a chance de conviver com meu pai, quando adolescente;

Meu pai não teve a chance de me ver crescendo e ser pai também;

Não tive a chance de ouvir seus conselhos quando mais precisei;

Não teve a chance de jogar bola comigo, ou torcer por mim;

Não tive o tempo necessário com ele para dizer a sua importância;

Não teve o tempo suficiente para ver meu primeiro emprego;

Não tive a chance de mostrar a você, o pai que me transformei;

Não teve a chance de me abençoar quando saí de casa;

Não tive a chance de mostrar o esposo que sou;

Não teve a chance de me ver formado;

Não tive a chance de contar que iria ser avô;

Não teve a chance de sentir o sabor de ser bisavô;

Enfim pai, nós não tivemos a chance que gostaríamos de ter...

Mas, Deus, deu-me a chance pai, de ter também meus filhos.

Deu-me a chance de vê-los crescer;

De ter a chance de brincar com eles;

De ter a chance de chorar por eles e com eles;

De ter a chance de jogar futebol com meu filho;

De ter a chance de ver os meus filhos casados;

De ter a chance de vê-los formados;

De ter a chance de ver todos buscando o seu lugar ao sol;

De ter a chance de saborear a vida, brincando com meus netos, pai...

Como gostaria pai, de ter a chance de você ter presenciando tudo isto,

Celebrando comigo todas minhas vitórias e você se gloriando também,

Mas, tive a chance de refletir muito depois da sua partida, e vi que não fiquei só...

Outro Pai me protegia e me guiava; e sei que você tem a chance de junto a Ele, orar por mim.

Sabe pai, você me deu a chance, em tão pouco tempo, em ter alguém para me espelhar.

Você me deu a chance de um dia ouvi-lo dizer que se não voltasse, eu seria o homem da casa, essas palavras fizeram-me forte para enfrentar o mundo.

Obrigado pai, você me deu a chance de mostrar aos meus filhos o verdadeiro pai que tive, com seu exemplo e o seu amor de pai.

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Marcelino Brito ESCRITO POR Marcelino Brito Escritores
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